Para onde foi o equilíbrio?
Outro dia, tentando lembrar quando começaram meus conflitos internos, percebi que nem sei ao certo. Mas lendo Schopenhauer, me ocorreu que os conflitos dentro de nós podem ter consequências tão intensas quanto aqueles entre o que somos e o que o mundo exige de nós.
Freud dizia que o ego tenta equilibrar essas forças – os impulsos e as regras – mas o que é equilíbrio, afinal? Como definir um parâmetro de normalidade para dizer quem é ou não equilibrado na sociedade?
O mundo muda o tempo todo. Novas regras, novos comportamentos, novas formas de interação. Nunca se falou tanto em conflito de gerações, e parece que a cada década há uma nova leva de jovens para desafiar os antigos.
Alguém já me disse que esses conflitos são apenas versões ampliadas da luta entre o interno e o externo. Achei isso pesado e duvidoso. Se dentro de nós existem id, ego e superego, como Freud sugeriu, o que representa essa enxurrada de mudanças externas? Nosso superego fica defasado com o tempo? Será que estamos sempre atrasados em relação ao presente?
Dizem que o superego carrega as regras dos nossos pais, mas e se nossos pais já estiverem velhos e o que era certo para eles já não fizer sentido? Será que é daí que nascem os preconceitos e as guerras entre gerações?
Schopenhauer viu esse conflito de forma metafísica, Freud o explorou dentro da psique humana. Mas onde esses conflitos realmente moram? Como encontrar um ponto de equilíbrio para não se perder entre tantas mudanças?
Vivemos em uma era de inteligências que não pertencem a ninguém e, ao mesmo tempo, pertencem a todos: artificiais, disfarçadas, manipuladas. Onde está a normalidade? Ou será que, no fim das contas, ela nunca existiu?
Muito bom esse texto
ResponderExcluirExposto dessa forma, o que você trouxe como “equilíbrio” se confunde com moral. O que é moralmente aceito no tempo presente é equilibrado? Não, deixando assim mais dificil ainda definir o equilíbrio.
ResponderExcluirCitando Sartre novamente, " A existência significa, que, em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define".
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