Por que nos aprisionamos?
"Stop! A vida parou, ou foi o automóvel?" Oswald rasgou o tecido da realidade com esses versos. A vida nunca para por si só — somos nós que a estagnamos, algemamos nossos dias à previsibilidade, construímos celas invisíveis e chamamos isso de rotina. Nos acomodamos em contratos que apertam o corpo como correntes, amamos quem nos limita, trabalhamos fugindo de nós mesmos e, quando percebemos, o poema já virou epitáfio. Há um conforto perverso nas prisões que escolhemos. Elas acalmam nossas inquietações, nos seduzem com a ilusão da estabilidade. A rotina se disfarça de segurança, o amor sem liberdade se fantasia de afeto, e o trabalho vira um refúgio do medo de encarar o vazio. Mas até que ponto estamos seguros e não apenas domesticados? O trabalho se transforma em cárcere quando nos convencemos de que o desconforto é normal, que a falta de sentido é apenas um efeito colateral da necessidade. Aceitamos cada dia como ele vem, justificando que, no mercado implacável, nã...